Alguns
discursos despertam mais interesse em função dos argumentos, bases e
pressupostos conceituais em que se apoiam — bem como também dos interesses e
aspectos ideológicos que carregam —, do que propriamente em virtude do conteúdo
de suas afirmações, ou seja, do que pretendem defender explicitamente. Este me
parece o caso do que disse o pastor Silas Malafaia em uma entrevista concedida
a Marília Gabriela no dia 3 de fevereiro de 2013 (acessível nesse link), que
recebeu diversos comentários e posicionamentos críticos, dentre os quais o de
um doutorando em genética, Eli Vieira (cujo vídeo pode ser visto nesse link).
Meu objetivo é propor outra resposta a Malafaia, levando em conta alguns dos
argumentos apresentados por Vieira, mas seguindo uma perspectiva psicanalítica.
A parte
da entrevista que nos interessa é o segundo bloco, em que o assunto é o
posicionamento de Malafaia sobre a homossexualidade. Trata-se de um discurso
claramente marcado pela intolerância, pelo desejo de exclusão do que é
diferente em relação a formas de vida hegemônicas, pela recusa deliberada de
amparar a quem é historicamente submetido a violências simbólicas e físicas.
Nesse sentido, coaduna-se com diversos outros provenientes de setores
reacionários da cultura. Cada um deles, entretanto, recorre a diferentes apoios
para se sustentar, que variam ao longo do tempo, renovando-se em virtude da
mentalidade das diversas épocas, de forma que é interessante atentarmos para as
mutações de tais estratégias de estruturação do discurso. Elas ajudam a
entender o modo com que estes posicionamentos buscam apoio na sociedade.
A
primeira questão a se tratar é: por que um líder religioso evangélico recorre
tão enfaticamente a uma suposta confirmação genética de que “ninguém nasce gay”?
Por que é tão importante para ele que a homossexualidade seja tomada apenas
como fruto de uma escolha? — Ao propor-se que não existe nenhuma ordem
biológica prévia que induza à opção homossexual, segue-se a conclusão de que
cada um será responsabilizado integralmente por ela. Além disso, tem-se todo o
espaço desejado por ele para as possíveis práticas de conversão, sejam elas
religiosas ou de psicoterapia, sem que com isto se incorra no perigo de ser
criticado por contrariar algo “de natureza”. Por outro lado, este mesmo passo
argumentativo tem interesse, em virtude de que a opção heterossexual não
é dita como sendo de natureza, mas sim a condição biológica de ser homem
e de ser mulher. Assim, teríamos, em princípio, um espaço para dizer que todas
as opções sexuais seriam fruto da relação dos seres humanos, tomados em seu
substrato biológico, com todo o conjunto dos elementos culturais de nossa
formação como indivíduos. Essa consequência, todavia, não cabe no discurso de
Malafaia, pois ele deduz o comportamento homossexual como um desvio em relação
àquilo que a condição biológica de ser o homem ou ser mulher já nos leva a
conceber: como ligada aos desígnios divinos de constituição da família e da
geração de filhos. Da ordenação genética que resulta na condição física de ser
mulher ou ser homem é deduzida uma suposta naturalidade da opção heterossexual,
que espelharia uma finalidade sagrada.
Uma vez
que o apoio argumentativo do pastor envolveu a ciência da genética, o
doutorando Eli Vieira responde, fundamentalmente, com dois princípios: 1)
resultados de pesquisas científicas demonstram que haveria, sim, bases
genéticas para a opção homossexual; 2) isso, por outro lado, não autoriza o
inatismo que Malafaia parece advogar, em virtude de que hoje já teríamos um
consenso de que a opção hétero ou homossexual “e suas variações” seriam
decorrentes de uma base genética e a interação com o meio social.
Em
relação ao primeiro princípio, a argumentação baseia-se no fato aparentemente
decisivo de que, em média, estudos mostram que gêmeos monozigóticos (que
possuem alta semelhança em sua estrutura genética) têm a mesma predileção
homossexual em 47% dos casos, enquanto nos gêmeos dizigóticos (menos
semelhantes geneticamente) a taxa é de apenas 13%. Diante disso, conclui-se que
existem bases genéticas para a preferência sexual. (Não vou levar em
consideração outros argumentos, como a da semelhança de determinadas regiões
cerebrais entre homens homossexuais e mulheres heterossexuais, e muito menos a
sensibilidade maior de homossexuais em relação a certo odor masculino, pois
eles me parecem por demais questionáveis.) Ao contrário do que diz o autor, eu
não creio que a conclusão seja “simples assim”. Que certa quantidade de estudos
aponte uma diferença de 34%, em média, da semelhança de preferência sexual
entre os dois tipos de gêmeos já é, em si, um resultado parcial, historicamente
delimitado, circunscrito aos países em que elas foram realizadas. Em outros
contextos históricos, como a idade média ou sociedades com regimes de
tolerância sexual muito distintos, em que a poligamia, por exemplo, fosse algo
totalmente disseminado e vários outros fatores, podemos supor que esses
resultados poderiam ser bastante diferentes. Considerando, entretanto, apenas
estes dados disponíveis, concluir que essa diferença de 34% comprove que
existe base genética para a preferência sexual é uma interpretação
perfeitamente possível, mas não a única.
Uma vez
que a predileção sexual a ser tomada como dado da pesquisa já será fruto da
interação com o meio social (nem que seja apenas no âmbito da família), isso já
significa que ela já não demonstra apenas o fator genético como sua
configuração, com o que o próprio Eli Vieira concorda e até o enfatiza,
considerando — de forma bastante pertinente — a relevante diferença entre a
identidade de gênero e preferência sexual. Um desses fatores de complexidade da
interação social é o fato de que os processos cognitivos e de constituição da
identidade subjetiva iniciais são fortemente marcados pelo impulso mimético, de
imitação e identificação com e pelo outro. Tal como até mesmo
Aristóteles já reconhecia, os seres humanos aprendem inicialmente a através da
imitação, e Jean Piaget demonstrou o quanto a capacidade mimética é de
fundamental importância para a formação cognitiva, lúdica e simbólica (veja-se A formação do símbolo na criança).
Estudos psicanalíticas recentes, como o trabalho de Paulo Carvalho Ribeiro
(veja-se O problema da identificação em
Freud), indicam o quanto a identidade sexual é marcada essencialmente pelos
processos de identificação masculina e feminina no núcleo familiar. Nesse sentido,
uma pergunta a se fazer em relação àquele resultado das pesquisas seria: o
quanto a semelhança de configuração genética afetaria de forma decisiva a
influência deste fator mimético na relação de identificação entre os gêmeos? Em
outras palavras: como se pode saber se a proximidade genética influencia diretamente
a opção sexual ou se ela o faz fundamentalmente através da mediação desse
fator de relação imitativa, mimética, com o irmão gêmeo? Essa questão poderia
ser respondida de modo algo satisfatório se os estudos levassem em conta, de
forma significativa, gêmeos monozigóticos educados por famílias diferentes
(separados após o nascimento), de tal forma que esses fatores de identificação
mimética recíproca não entrassem em jogo. Se, mesmo sem tal interferência,
aquele percentual se mostrasse elevado, então teríamos mais um motivo para
dar-lhe crédito, embora ainda assim poderíamos questionar sua validade final,
definitiva, não apenas segundo um princípio de filosofia da ciência de que
nenhuma teoria científica está comprovada de uma vez por todas (veja-se, por
exemplo, Thomas Kuhn, A estrutura das revoluções científicas), mas
principalmente devido à complexidade radical nos fatores que convergem para o
comportamento humano, complexidade com a qual o próprio geneticista concorda.
O
grande problema com tais pesquisas, entretanto, está menos na sua dimensão
conclusiva do que no modo como a opção sexual é “contabilizada”. De um ponto de
vista psicanalítico, o comportamento sexual é apenas uma das faces da sexualidade,
a mais “visível”, e que, exatamente por isso, está mais sujeita a
constrangimentos sociais objetivos. Quando Freud concebe a estruturação
subjetiva a partir da sexualidade, vemos que a atração ou repulsa por um sexo
ou por outro ou pelos dois é resultado, consequência, de uma
série de fatores ligados às fantasias in- e conscientes, aos complexos
imaginários de identificação com a mãe e com o pai, todos eles decorrentes de
formas altamente individualizadas de assimilação dos efeitos psíquicos das estimulações
corporais na primeira infância. O comportamento sexual, e mesmo o próprio
prazer ou desprazer com o contato com outra pessoa, é apenas a ponta do iceberg,
que se sustenta sobre uma grande massa de elementos altamente instáveis,
móveis, contraditórios, flutuantes, efêmeros, que se alternam ao longo do tempo
etc.
Se
assim é, então podemos falar de diversas vertentes, versões, da
sexualidade (mesmo no registro de uma única opção de “comportamento sexual”),
em virtude do fato de que, tal como os estudos clínicos da psicanálise
demonstram, existem inumeráveis formas de configuração de fantasias sexuais que
giram ao redor da prática concreta. Uma mulher heterossexual pode nutrir várias
fantasias homossexuais e/ou bissexuais, assumindo (na imaginação) tanto o papel
masculino quanto feminino, ou os dois alternadamente, como também pode vir a
praticar sexo seguindo cada uma dessas fantasias, ou simplesmente não gostar de
praticar, mas apenas de vivenciar na imaginação etc. Parece-me bastante difícil
um estudo de influência genética incidir, por exemplo, nas diferenças
fantasísticas que estão na base da predileção de um homossexual masculino em
assumir apenas a posição passiva, em contraste com um outro que se coloca
apenas na posição ativa, como também contrastando com quem é bissexual, tomando
apenas uma posição passiva na relação com homens, mas se relacionando
ativamente com as mulheres. Cabe ainda falar de diversas formas de
auto-erotismo, de estimulação masturbatória com o próprio corpo, que não
envolvem necessariamente uma imagem consciente de outra pessoa. — Poderíamos
gastar um longo espaço aqui mostrando a enorme variabilidade destes complexos
fantasísticos, que se tornam mais difíceis de manusear quando vemos que para
cada fantasia conscientemente vivida, descortina-se a influência de várias
outras, inconscientes, marcadas essencialmente por seu teor contraditório,
múltiplo e de desvio em relação ao que cada um consegue admitir para si.
Todas
essas vertentes e versões da sexualidade podem ser — e normalmente o são
em algum grau — subversões à ordem estabelecida, ou seja, podem romper
parâmetros de normalidade. Ocorre que elas não precisam se mostrar como
rupturas drásticas para não serem apenas subversões, mas sim perversões,
pois seguem caminhos muito próprios, densos, conflitivos, desviantes. Todas
eles são guiados por um princípio de gozo, de um prazer incompreensível em seus
fundamentos, de tal forma que a opção homossexual seria, sim, um desvio — e
aqui, de forma um tanto surpreendente, concordamos com Malafaia: só que se
trata apenas de uma forma de desvio, pois, considerando a multiplicidade
fantasística indefinida das outras vivências sexuais, todas as outras também
são. O desejo heterossexual, por mais estranho que pareça, também é um desvio, na medida em que é
nutrida por fatores subjetivos íntimos não determinados pela reprodução. Junto
com Freud, dizemos que nos seres humanos a reprodução é sexuada, mas a
sexualidade não é reprodutiva, tendo seu princípio motor a busca de prazer
através das mais variadas e conflitivas formas de elaboração fantasística do
objeto de desejo. — Haveria
que se considerar, ainda, a delicada questão do quanto esse caráter desviante
da sexualidade significa sua mutabilidade infinita, de modo que fizesse sentido
dizer de uma reorientação sexual em sentido pleno. Em vez de considerar a possível
influência genética na opção sexual como seu núcleo, ao redor do qual o
comportamento girará, prefiro considerar os extratos inconscientes mais
profundos das fantasias, a que se sobrepõem outros, de modo que a superfície do
complexo fantasístico sexual deverá fornecer a base para a necessária
autocompreensão em relação a nossas motivações mais profundas, as quais
apresentam uma fixidez e força análogas às de natureza, biológicas. A predileção sexual seria, assim, fruto de escolhas, "opções", mas não conscientes em seu fundamento.
A
partir de tais considerações, dizemos que o inimigo mais próprio de discursos
afins ao do pastor Silas Malafaia não é, tão especificamente quanto aparece em
sua superfície, a homossexualidade, mas sim o caráter subversivo e pervertido
do sexual, que constitui, segundo a teoria psicanalítica, a base (inconsciente)
de todas as motivações conscientes em relação ao mundo. O homossexual
representa aos olhos deste discurso e mentalidade conservadores o “perigo” da
evidência consumada de uma força subjetiva que é definida por romper
definições, podendo ser combatido “à luz do dia” em nome de um desejo de
constranger ao máximo as vias de derivação e subversão das normas, padrões e
valores socialmente estabelecidos.
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2 comentários:
Li com bastante interesse seu artigo, mas não penso que a heterossexualidade deva ou possa ser vista como um "desvio" equiparável a qualquer opção sexual dela diferente. O mero conceito de "desvio" pressupõe uma alteração em uma linha de desdobramento causal esperado. Enxergar a heterossexualidade com a mesma naturalidade com que se encara a homossexualidade, a zoofilia, a pedofilia, a necrofilia, parece-me contrariar uma evidência fática inegável: o contínuo aumento da população, desde o surgimento da humanidade. Não segue aqui nenhuma crítica aos homossexuais, que devem, merecem e ainda precisam ser protegidos de toda forma de discriminação e violência, mas apeguemo-nos ao óbvio... o homem se multiplica por causa da reprodução sexuada e a reprodução sexuada é a preferida, não por ser cultural ou politicamente adequada, mas porque é a que proporciona - e sempre proporcionou - mais satisfação para os parceiros nela envolvidos, isto em qualquer lugar do mundo, em qualquer época. Desde o surgimento do homem na terra, a população simplesmente não cresceria e a civilização não prosperaria, enquanto o "normal", o mais prazeroso, fosse se masturbar, transar com melancias, cenouras, cadáveres, cabritos ou pessoas do mesmo sexo. Uma comunidade na qual estes tipos de comportamento fossem os mais satisfatórios – e por isso mais comuns - estaria inquestionavelmente fadada à estagnação e extinção. A contrario sensu não é, portanto, errado dizer que a civilização chegou aonde está por causa da heterossexualidade. Ora, pode-se dizer sem medo de errar que a imensa maioria das pessoas prefere o sexo oposto não por “opção”, mas porque esta condição (heterossexual) é a que gera e sempre gerou a maior satisfação física, psíquica e social para os seres humanos. Isto é um fato e não um discurso reacionário. Ninguém é tolo ou hipócrita de pensar sinceramente que a razão principal de a maioria dos homens transarem com mulheres e vice-versa seja o cunho reprodutivo ou a pressão da sociedade; o ser humano é essencialmente egoísta e sua motivação primordial no sexo é a obtenção de prazer. A geração de descendentes na imensa maioria das vezes é uma consequência óbvia da predileção majoritária das pessoas pelo envolvimento sexual com o gênero oposto, independentemente da infinidade de “complexos fantasísticos” que os indivíduos possam nutrir em seus inconscientes. Isto, deixando de lado a discussão da funcionalidade orgânica, por meio da qual Deus - ou o acaso evolucionista – teria dotado o sexo masculino de uma ferramenta (com duplo sentido, por favor) adequada para ser acoplada em região correlata do corpo feminino perfeitamente apta a recebê-la, lançando células móveis perfeitamente desenhadas para penetrar em células femininas capazes de acolhê-las para gerar vida. Se é certo que o prazer sexual pode ser obtido também de inúmeras outras formas diversas da cópula vaginal – e em algumas circunstâncias, e para algumas pessoas, gerando até mais satisfação que a própria cópula vaginal -, é igualmente correto dizer que, para a imensa maioria da humanidade, orgânica, psicológica, cultural, antropológica e historicamente, a heterossexualidade é a forma de relacionamento sexual mais comum e prazerosa para os seres humanos. Assim, não há nenhuma impropriedade em chamá-la “normal” em contraposição a outras formas de satisfação da sexualidade. Afirmar que na Europa é “normal” que as pessoas nasçam com a pele branca não é racismo, assim como afirmar que a homossexualidade representa um comportamento desviante não pode ser visto como preconceito, intolerância ou “um desejo de constranger padrões estabelecidos”. Assim, se a Bíblia ou um líder evangélico entendem a homossexualidade como comportamento que subverte a ordem natural das coisas, trata-se, pura e simplesmente, do reconhecimento do óbvio e não há argumento teológico, filosófico ou científico que tenha como negar o óbvio.
Obrigado por seu comentário.
Há vários aspectos que considero bastante inadequados no que você disse. O primeiro deles é colocar no mesmo plano de comparação a heterossexualidade e a homossexualidade, a zoofilia, a pedofilia, a necrofilia, uma vez que configuram formas de sexualidade interpretáveis de um ponto de vista ético e social muito diferentes. A pedofilia é um crime, e deve ser punida com os rigores da lei e a necrofilia é uma perversão que também demonstra um grau de problematicidade não comparável à relação recíproca de desejo livre entre dois seres humanos que possuem o mesmo sexo. Embora no meu texto eu diga que todas as formas de sexualidade envolvem desvio, e portanto estão sujeitas à dimensão de perversão própria do sexual, isso não significa que possamos ou estejamos autorizados a colocar no mesmo plano comparativo, seja ele ético, jurídico ou social todas as formas de manifestação da sexualidade.
O segundo ponto altamente questionável é a idéia de que a relação heterossexual proporciona mais satisfação do que a homossexual. Parece-me altamente inadequado esse posicionamento, uma vez que não se pode estabelecer estatisticamente uma verificação minimamente plausível e aceitável para as diferenças de obtenção de prazer e, conseqüentemente, de satisfação, entre as pessoas no mundo. Tanto homossexuais quanto heterossexuais podem obter satisfações bastante significativas com as formas de prazer que lhe são próprias, e até mesmo uma mesma pessoa pode ter relações homo- e hétero sexuais que lhes dê satisfações igualmente intensas, tanto em diferentes épocas da vida, quanto também na mesma época. Nós não temos um plano comparativo a partir do qual pudéssemos estabelecer com tanta certeza que relações heterossexuais sejam mais satisfatórias, proporcionem mais prazer ou qualquer outra forma de juízo acerca do significado subjetivo da relação sexual.
Essa adequação fisiológica que você percebe entre o pênis e a vagina como instrumentos "óbvios" de uma forma de sexualidade que seria exatamente por isso também "óbvia", indica o tipo e o modo de raciocínio que a psicanálise quer combater frontalmente. Nem a fisiologia, nem a finalidade da reprodução, nem a identidade de gênero de homem e mulher etc., são parâmetros para definir o sentido íntimo e subjetivo da sexualidade, pois, como você mesmo assume, o ser humano é movido na prática sexual pelo prazer. Só que você não admite que se extraia uma conseqüência fundamental disso, que é o fato de que nenhuma circunstância objetiva, social, externa, nos autoriza a estabelecer um juízo acerca do significado de quaisquer formas de relacionamento sexual para os seres humanos.
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