Um espaço de discussão sobre Filosofia, Psicanálise, Arte, Política, Crítica cultural e Atualidades.

sábado, 26 de abril de 2014

Produção e produtivismo acadêmicos


Quando se pensa criticamente sobre a produtividade acadêmica, podemos considerar de antemão apenas a dimensão qualitativa, deixando de lado os problemas ligados ao que se convencionou chamar de “produtivismo”. Mesmo que critiquemos de forma enfática este último, que se manifesta, entre outras coisas na assim chamada “ciência salame”, em que uma mesma pesquisa é fatiada (quando não simplesmente repetida!) em inumeráveis artigos, capítulos de livro, palestras etc., mesmo assim ainda é uma questão sempre relevante que tenhamos uma produção melhor, qualitativamente aperfeiçoada. Ocorre que o produtivismo prejudica esta melhora qualitativa, demandando sempre a publicação de artigos e outros produtos, em detrimento de uma pesquisa mais substantiva. A fim de alterar este estado de coisas, é necessário repensar integralmente o sentido, a diretriz geral, que pauta nossos objetivos e metas, além da prática cotidiana, de toda a pesquisa.

O primeiro aspecto essencial a se considerar é a diferença gritante entre o tipo de trabalho de um pesquisador e outras práticas profissionais. Quando um dentista age cotidianamente em seu consultório, sua atividade é medida pela quantidade de tratamentos e pela excelência de cada um deles (além de outros aspectos que não nos concernem aqui, como a dimensão afetiva no relacionamento com os pacientes). Quando, entretanto, ele se dedica a pesquisar uma nova solução para a cura de uma enfermidade, como a inflamação dos nervos bucais, o critério de avaliação passa a ser bastante diverso, pois não está mais em jogo este acúmulo positivamente verificável de resultados passo a passo. Muita coisa deverá ser mantida suspensão em termos de juízo para que um resultado consistente seja alcançado no final. Entre o começo da pesquisa e seu fim, a possibilidade de erro, de desvio, de rotas desnecessárias, de desperdício de material etc., colocam a pesquisa sempre em xeque quanto a sua validade, quanto a sua legitimação para o capital financeiro e humano empregado. Isso se torna especialmente problemático e difícil de equacionar em uma mentalidade produtivista, quando pensamos na possibilidade de a pesquisa “dar errado”, no sentido de não render os conhecimentos esperados ou o conjunto de hipóteses levantadas inicialmente se mostrar infrutífero.

Ora, a mentalidade produtivista é positivista: ela sempre se firma no critério de mensurabilidade factual dos produtos. Em contraste com isso, a aposta e o investimento na empresa científica pautam-se no vigor ao se lidar com a negatividade, com a incerteza, com a possibilidade de desperdício, com a ausência de critérios inequívocos para avaliar a qualidade e a excelência do percurso etc.

Essa ânsia positivista de medir a produção acadêmica, infelizmente, está aliada a outro contexto de demandas de atuação docente: em reuniões de departamento, comissões de avaliação de pesquisas discentes e uma série de outros encargos. Essa conjunção do produtivismo da pesquisa em si e da demanda de participação múltipla em diversas esferas da universidade origina sistematicamente diversos ruídos no percurso da produção, cujos efeitos não são apenas da ordem de um somatório de suas interferências específicas.

A aquisição de conhecimento científico demanda essencialmente concentração na caminhada, que se quer resultando na consistência ao se perseguirem novas hipóteses, ideias, princípios de análise progressistas, soluções ainda não verificadas. Entre a formulação inicial deste campo ideativo e a sedimentação final, quanto mais o trabalho sofrer interferências, ele não apenas é subtraído de uma quantidade de tempo, quanto é afetado em seu espírito mais próprio. Ocorre que este espírito tem seu centro de gravidade colocado, não na coisa-trabalho, no processo laborativo considerado em sua objetividade exterior, mas sim no próprio sujeito, no cientista, no teórico.

Prestemos atenção a este aspecto de crucial importância: o investimento econômico, de energia, de tempo, de recursos humanos, tem como seu sentido mais peculiar uma crença não no resultado, mas na capacidade daquele a quem atribuímos a tarefa. Iniciar uma pesquisa significa acreditar no potencial humano, na inteligência, na capacidade raciocinativa de levantamento de questões, na consistência emocional e intelectual para buscar possíveis respostas e para lidar com os momentos de impasse. Ora, este núcleo subjetivo-negativo, porque questionável, é exatamente o ponto nevrálgico da alergia positivista ao princípio de incerteza que rege a ciência como aquela forma de saber que lida com problemas de fronteira, ou seja, que quer sempre expandir o conhecimento em direção ao que ignoramos.

Para fazer frente a isto, não basta atentar para as inumeráveis regras de organização de tempo, estabelecimento de prioridades, divisão de tarefas e tudo mais. É necessário primordialmente ter em vista o que dá sentido como empreendimento intelectual à aposta sempre em certa medida duvidosa (pois sem isto não seria uma aposta) da ciência como necessariamente ligada ao não saber, ao risco, ao fracasso. De um ponto de vista mais concreto, eu diria que tanto no âmbito individual quanto coletivo, de departamento, tudo deve ser orquestrado ao máximo de modo a haver uma concentração ótima para o trabalho da pesquisa, conferindo-lhe os meios e condições para uma continuidade prolongada e consistente. Claro está que isto varia infinitamente não apenas entre as pessoas, quanto também entre o que é factível na organização dos departamentos e das unidades. Em que pesem essas vicissitudes, creio como sumamente necessário que elas sejam sempre pensadas a partir deste princípio mais geral de investimento e de aposta na dimensão subjetiva da pesquisa como um projeto regido pelo princípio da incerteza do empreendimento científico.

Se você gostou dessa postagem,
compartilhe em seu mural no Facebook.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Inteligência afetiva

Ao começar a ler esse texto, você poderá me taxar de superficial ou até de um tanto frívolo mas leia até o fim.

Em um relacionamento afetivo, de amor, vale muito mais sermos leves, agradáveis e divertidos para o outro, do que trazermos “verdades”, críticas substantivas sobre a vida, sobre a política, sobre o saber etc. É evidente que o gosto pessoal por discussões aprofundadas sobre quaisquer temas varia infinitamente, mas, ao longo dos anos, tendi a perceber que quando se “aprende” a ter uma convivência afetiva mais pautada pela leveza, pela amenidade e pelo humor, ela parece ter muito mais chances de permanecer viva durante mais tempo.

Klimt - O beijo (detalhe)
Nossos gostos, assim como nossos sentimentos e até a própria percepção, não apenas são constantemente modelados socialmente, quanto podem ser sempre refletidos de modo a tomarmos consciência do quanto são pobres. A urgência da atividade profissional, a maciça influência da demanda de sobriedade para lidar com a vida, o nosso próprio narcisismo em nos pensarmos como “inteligentes” e uma série de outros fatores sociais e psíquicos demonstram uma inércia muito grande, levando todo este núcleo de nossa personalidade a expandir-se a ponto de colonizar muitas facetas da vida que deveriam ser mais resguardadas desse imperialismo.

“Ora, eu sempre me relaciono com pessoas inteligentes, e um dos motivos para isso está no fato de que posso ter trocas de ideias enriquecedoras” — sim, entendo perfeitamente; tais momentos crítico-reflexivos podem de fato contribuir para um bom vínculo amoroso, mas existe uma outra face mais difícil de perceber nessa questão.

A inteligência não está apenas na dimensão linguística, de articulação de ideias, aprofundamento conceitual, senso crítico-social etc. — ela não se manifesta apenas aí. Ela está também na compreensão de uma ironia perspicaz, na leitura dos gestos e demandas alheias, em encontrar limites tanto para si quanto para o outro; está também no próprio sexo, na capacidade de medir a sensibilidade própria e alheia, na leitura que fazemos das fantasias e recusas do outro; reside também em boas escolhas de oportunidades de entretenimento, passeio e descanso — e uma infinidade de outras circunstâncias em que tal “inteligência” será muito bem aproveitada e, assim, influirá decisivamente para que o vínculo afetivo se enriqueça e tenha uma boa continuidade. Ela não será “desperdiçada” por não se realizar (apenas ou majoritariamente) no âmbito em que é mais tipicamente reconhecida como tal, ou seja, na teoria, no discurso, na argumentação etc.

Em suma, acredito que no amor mais vale uma “inteligência afetiva” do que a intelectual ou crítica. Penso que quanto mais esta última apareça em sua forma mais típica, mais o relacionamento tende a se esvaziar de um componente vivencial de sua importância: a percepção do “aqui e agora” do prazer consubstanciado na leveza do vínculo amoroso, em sua desconexão perante o compromisso da vida, em sua negação do “peso” da realidade. Cada encontro amoroso, assim, deveria ser, essencialmente, um “fim de semana”, em contraste com os dias úteis do trabalho de sol a sol com nossos conceitos e argumentos.

P.S.: “Ei, espera aí: e para mim, que sou casado, convivendo várias horas por dia com minha esposa? Como fica essa ‘lógica afetiva do fim-de-semana’?” — Ótima pergunta! Só que é melhor você mesmo tentar responder...

Se você gostou dessa postagem,
compartilhe em seu mural no Facebook.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

O recalque sexual


Desde que Michel Foucault defendeu enfaticamente sua tese de que não existe repressão sexual na época moderna e na contemporaneidade, vemos diversos intelectuais compartilharem esta ideia, alimentada em grande medida pela clara liberalização dos costumes sexuais a partir da segunda metade do século XX. A teoria do filósofo francês é complexa demais para ser abordada aqui, de modo que quero apenas argumentar de forma contrária a essa perspectiva geral de que não há mais repressão sexual, ou que ela é muito pequena, ou que ela se restrinja a algumas doutrinas religiosas coercitivas.

O contexto social, tecnológico, ético, político e até mesmo de influência das doutrinas religiosas no comportamento nos leva a dizer que a sexualidade experimentou uma expressiva liberação de diversas de suas práticas. Embora alguns grupos religiosos mais extremistas ainda apregoem a abstinência até o casamento e recebam certa acolhida por parte de seus fiéis, o ocidente (leia-se: a Europa e as Américas) já deixou há muito de considerar imoral a prática do sexo antes do matrimônio. A depender da disposição mútua, o sexo se tornou, em grande medida, um componente da vida, não mais atrelado a este compromisso de determinado estado civil. Considerando as múltiplas exposições do corpo nos meios de comunicação em massa (sem contar a facilidade de acesso à pornografia sexual explícita), costuma-se dizer que não haveria mais uma repressão sexual externa, e, considerando o desenvolvimento da consciência crítica sobre nossas opções individuais, tendemos a considerar como fruto de uma ponderação e escolha individuais aderir ou não a um regime mais liberal ou parcimonioso de entrega ao prazer sexual: casar virgem diria muito menos respeito ao fato de ser reprimido do que ter em mãos as duas possibilidades e se decidir por uma delas pelo conjunto de seus próprios valores.

Esta é uma perspectiva muito parcial, ingênua e enganosa. Há vários tipos e formas de negação da sexualidade, que residem muito aquém e além da limitação das práticas por normas morais e jurídicas, e também doutrinas religiosas. Não é de forma alguma necessário haver essas agências limitadoras, sejam elas menos ou mais interiorizadas psicologicamente, para que a sexualidade, mesmo praticada no dia-a-dia, seja bastante pobre, limitada, fraca em significado pessoal, contrarie uma afirmação mais progressista de si como indivíduo, seja acompanhada de sentimentos de culpa, remorso e auto-depreciação que não se mostram de forma clara à consciência. O universo da sexualidade envolve uma série de fatores, dinâmicas e formas de sensibilidade, desejos e fantasias muito mais perigosos de um ponto de vista de censura social do que a simples prática concreta, material.

Para entender a justificativa desse posicionamento crítico, é necessário entendermos minimamente a diferença entre repressão e recalque, que abordei em uma postagem anterior e que convido à leitura. Mesmo que aceitássemos, em princípio, a tese de que não há mais “repressão” sexual, estaríamos muito longe de dizer que não há recalque sexual. Este último diz respeito a uma mobilidade de interdições, atos compulsivos, auto-desconhecimento, dissimulação, deslocamentos de significado, condensação de afetos incompatíveis, incapacidade de articulação de uma identidade sexual não-restritiva — e uma série de outros mecanismos inconscientes que sustentam nossas práticas, desejos e fantasias conscientemente reconhecidas. Além disso, até mesmo a prática sexual obsessiva, tornada possível no horizonte desta liberação contemporânea, torna-se índice de um recalcamento que tanto mais empobrece a sexualidade, quanto mais tende a nos iludir sobre a liberdade que supostamente temos concretamente. Tal como Freud já havia demonstrado em seus primeiros escritos, a dimensão sexual inconsciente oscila entre uma rejeição histérica e absoluta, capaz de nos fazer fugir horrorizados de formas mínimas de exposição da sensualidade, até o aprisionamento do sujeito a seus desejos, que não deixam margem para nenhuma forma de negação.

Talvez um dos argumentos mais fortes para demonstrar o impacto do recalcamento do sexual seja a explicitação de um dos (vários) significados do apelo pornográfico. A pornografia não apenas pode ter a força suficiente para modelar o desejo sexual através de suas imagens exuberantes, quanto tende a dispensar as pessoas do exercício investigativo de suas próprias demandas, de suas formas singulares de prazer e fantasias. O objeto de desejo, glorificado e repetidamente exposto em imagens espetaculares, caminha no sentido de substituir a busca de vínculos concretos entre as pessoas, os quais tendem a ser vistos, em contraste com a lógica pornográfica, como empecilhos a um acesso direto e “eletrificado” para o gozo. Em certo sentido, considerando o movimento social amplo, quanto mais pornografia, menos sexo, na medida em que o brilho da evidência consumada do objeto como objeto-de-desejo tende a “polir” o desejo de seu ímpeto multifacetado, concretamente denso de contradições, mistérios e surpresas.

O cenário, entretanto, precisa ser complementado com a tomada de consciência bem mais explícita de que o homoerotismo, tal como pode ser perfeitamente constatado em nossas sociedades ocidentais, é alvo de uma recusa explícita e combativa. Até poucas décadas a prática homossexual era proibida em diversos países, e até hoje enfrenta investidas no plano político e jurídico fortes, como na Rússia. A discriminação social dos homossexuais está ainda muito longe de decair. Ora, será muito difícil reconhecer que esta aversão incide também sobre todos os traços e fantasias homoeróticas de cada pessoa? Seremos ingênuos de pensar que a recusa da homossexualidade se restringe a essa sua faceta física mais evidente? Não estará presente e atuante, de forma sempre dissimulada, como instâncias de censura intimamente vivenciadas, levando a sempre afunilar e tolher o desejo, e, na medida em que esse cerceamento se rompe, produzindo grande sentimento de culpa? — A violência externa é apenas a face literal de uma outra praticada de forma interna e extremamente prejudicial à riqueza dos desejos sexuais e, por extensão, do que constitui nossa própria identidade.

Por fim, cabe dizer que a alegação de liberdade de escolha entre abstinência ou prática do sexo ignora radicalmente o quanto nossas consciências são moldadas por uma ideologia que, de um ponto de vista crítico, empurra-as a coincidir com uma mentalidade coletiva, e isso de forma tão radical que a consciência de liberdade é por demais fraca e altamente questionável. A nossa perspectiva, em termos de crítica da cultura, deve ser precisamente a de denunciar de forma vigorosa o processo manipulador da cultura em sua totalidade, em vez de nos resignarmos a aceitar a perspectiva ilusória que cada indivíduo tem sobre si mesmo. Se a cultura não lograsse este processo de identificação radical e profundo de seus membros a ela, já teríamos sociedades muito mais livres, justas e emancipadas. Que uma pessoa opte “livremente” por deixar de ter relação sexual até um período tardio da vida simplesmente pelo fato de não ter se casado não pode ser o fundamento legitimador de si mesmo. Trata-se de um conceito de liberdade por demais abstrato, que abstrai precisamente das condições reais de formação da mentalidade, que toma a restrição do gozo sexual como índice de afirmação livre de si. É imprescindível reposicionar o campo do sexual como veículo concreto de instituição de uma identidade robusta, enriquecida, impulsionada pela riqueza de nossas fantasias e formas de satisfação no trânsito direto com a corporeidade e o desejo alheios.

Se você gostou dessa postagem,

compartilhe em seu mural no Facebook.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

O perigo são os outros

Um relacionamento afetivo tende a nos retirar de nossa zona de conforto centrada na segurança de nosso próprio eu. Isso pode parecer óbvio, mas não algumas de suas implicações e reações nossas.

A experiência amorosa solicita um trânsito de si ao mundo que é permeado da necessidade de doação, de acolhida de diferença e de uma série de outras formas de questionamento do que já se define como "bom para mim", estável, já-previamente-sabido. Estar só, para muitas pessoas, e durante muito tempo, sempre será uma "solução" perfeitamente disponível. O provérbio "Antes só do que mal acompanhado" pode ser traduzido, desse ponto de vista emocional, como: "Antes só do que possível- e provavelmente mal acompanhado". A insuficiência e precariedade da vida "de mim comigo mesmo" mostra-se, nessas circunstâncias, como um mal menor, se comparada com a periculosidade do trânsito com o outro.

Uma vez que as demandas alheias sempre contêm um grau de incerteza que se mescla ao que nós temos das nossas, isso potencializa um desejo cada vez crescente de delimitação "do que está em jogo". Considerando a eterna impossibilidade de prever a continuidade de nossos sentimentos, e com muito mais razão, a duas sentimentos alheios, logo essa demanda dificilmente deixa de acompanhar o relacionamento amoroso desde fases surpreendentemente iniciais. A depender do grau de "ameaça" com que a instabilidade vivencial é percebida, um de seus efeitos é certa irritação, mal-estar e... raiva, pois o conflito entre a demanda de segurança de si e a aventura do comércio afetivo é constante, reiterada e muitas vezes tende a aumentar de forma crítica.

Ocorre que tudo isso existe precisamente em virtude do prazer, do gozo, ou seja, da experiência do que sai dos trilhos do "já-vivenciado-por-mim-mesmo". Trata-se de um estímulo e de uma excitação que são percebidos como tais porque anulam a placidez e a fleuma do centramento egóico. Nesse instante, entra em jogo a percepção de dependência para com o outro, uma vez que este prazer do que ultrapassa nosso próprio eu necessita não apenas da presença, mas das atitudes, das escolhas, dos gostos e preferências alheios, que não podem ser absolutamente modelados.

Evidencia-se, assim, o paradoxo da situação: quanto mais intenso o prazer/gozo, tanto mais ameaçadora é não apenas "a relação em si", mas quem a proporciona! Quem oferece a oportunidade de prazer é, por essa mesma razão (nutrida pela insegurança própria), quem recebe um investimento afetivo contrário, que pode permanecer inconsciente por muito tempo, até que... o relacionamento termina. Nesse instante, a ambiguidade afetiva (tema muito estudado por Freud) se desdobra em uma raiva/ódio purificada de seu sentimento oposto e que lhe foi a principal causa (!).

Isso esclarece em grande medida a ânsia crônica de sabotagem dos relacionamentos: responde à pressão do desejo de se ver livre da mescla muito pouco compreendida entre amor e ódio...

Se você gostou dessa postagem,
compartilhe em seu mural no Facebook.