Debater política é algo deveras não apenas difícil, mas com
uma dificuldade de fundo especialmente problemática de equacionar, que reside,
não apenas no teor moral de nossos juízos sobre política (moralidade que se
percebe em expressões muito frequentes em debates, como “vender a consciência”),
mas também no fato de que toda a visibilidade dos fatos em questão está sempre
mediada, filtrada e dirigida pelos meios de comunicação em massa, cujas
propriedades, sem exceção, residem nas mãos de pouquíssimas famílias
bilionárias, que pagam a peso de ouro comentaristas, redatores e demais
formadores de opinião para sempre exacerbar ao máximo possível as contradições
internas de partidos de esquerda, como o PT, e colocar na sombra as mesmas
questões de outros partidos. O cartel absolutamente criminoso que corroeu mais
de 2 bilhões e meio de reais no governo do estado de São Paulo — o que
representa 50 vezes o quanto foi consumido no assim chamado mensalão — obteve
uma visibilidade ínfima se comparada a este último. O motivo é muito óbvio,
mesmo para quem não quer ver: o único partido envolvido nessas tramoias foi o
PSDB.
Existem inumeráveis programas sociais encampados pelo PT no
Brasil afora, que diferem em qualidade e quantidade de forma absurda em relação
a governos como PFL e PSDB, mas isto é ignorado por 99% da população, que
somente sabe da política através da voz aveludada do sr. William Bonner, que
ganha mais de um milhão de reais por mês para falar mal de políticas que tentam
dar um mínimo de dignidade a quem ganha menos de quinhentos. No mesmo dia em
que se recebe por Whatsapp uma piada questionando que os beneficiários do bolsa-família
não trabalham, recebe-se outra questionando que, se o desemprego é menos de 6%
no país, por que há tantos mais beneficiários deste programa? — Há várias
formas de ler um mesmo dado e uma mesma ação política: sempre dependerá da
escolha de cada um, e a visão que a população tem é quase integralmente baseada
no teor de espetáculo moralizante que a imprensa dedica a tudo que é
contraditório e incerto nas políticas que beneficiam as classes baixas. Não se
tenha dúvida que não apenas no metrô de São Paulo houve prejuízos maiores do
que os da Petrobrás a que a Veja dá todos os holofotes, quanto também durante
os governos Itamar franco e Fernando Henrique Cardoso, mas o procurador-geral
da república, digo: o engavetador-geral da república, na época, jamais levantou
a sua nádega direita para expelir um peido que pudesse chamar a atenção proporcional
às devidas falcatruas.
Nessa toada, sempre serão dadas todas as lentes de aumento e
holofotes para qualquer erro, desvio etc. em quaisquer partidos de esquerda, e
se abafarão de forma absurdamente desavergonhada crimes tão ou (muito) mais
acintosos em partidos de direita. — Como discutir política de forma objetiva
diante de um cenário como esse?
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