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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Qual é a sua, Aécio?


O sr. Aécio Neves, caso queira aumentar suas chances ao concorrer à presidência da república, deveria responder de forma bastante clara uma pergunta que Lula fez a Alkmin em um dos debates das eleições de 2006: "qual é o projeto de política social de seu possível governo?". Se ele considera, tal como vários de seus companheiros de partido, que o Bolsa Família é assistencialista e, tal como se lê em comentários na internet, uma compra de voto institucionalizada, que o diga clara e explicitamente. Além disso, como ele se posiciona em relação à política dos governos Lula e Dilma de valorização do salário mínimo? Acredita ele, junto com seu principal assessor de assuntos econômicos, Armínio Fraga, que o salário mínimo está alto demais?


Os candidatos do PT e outros partidos de esquerda sempre são defrontados acidamente com questões muito sensíveis no imaginário popular, tal como a legalização do aborto, fazendo com que necessitem abandonar posições progressistas em favor de apoio de parcelas conservadoras do eleitorado, como as ligadas às igrejas católicas e evangélicas. De certa forma, a problemática de políticas diretamente dirigidas ao bem-estar de populações pobres acabou tendo um efeito análogo para as candidaturas dos partidos de direita, como PSDB e DEM. Mas, tal como ocorreu naquele debate entre Alkmin e Lula, suspeito que Aécio vai tentar empurrar com a barriga todas as questões relativas a políticas sociais, com respostas evasivas, linhas de atuação genéricas, sem se comprometer com nenhum viés mais decidido.

Outro ponto frágil é sua insistência no endurecimento no combate às drogas, em franco contraste com o bem-sucedido plano do prefeito Fernando Haddad de São Paulo. Considerando-se os ótimos índices de recuperação de grande parcela dos viciados que habitavam a assim chamada cracolândia, o candidato deveria se posicionar claramente sobre tais formas de apoio aos dependentes, pois não faz muito sentido "pedir tempo", dizer que seu grupo vai estudar a situação etc., uma vez que este já é um problema enfrentado de forma vigorosa pela atual prefeitura de São Paulo, cuja atuação, aliás, tem sofrido resistência por parte de Alkimin.

Suspeito que, em vez de respostas diretas sobre estas questões sociais candentes, o que ocupará por um bom tempo as primeiras páginas dos jornais é a sua intenção de reduzir à metade o número de ministérios e outras formas espetaculares de propagandear seus famosos "choques de gestão". Será que Aécio e seus auxiliares pensam que o número de ministérios está tão alto quanto o salário mínimo?

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