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domingo, 22 de junho de 2014

Torcendo pelo meu partido


Avaliar um partido político é algo muito difícil, pois é necessário fazer frente a uma complexidade heterogênea: muitos fatores de ordens muito diversas precisam ocupar um “mesmo espaço” de julgamento. Isso é um enorme empecilho para se focar itens pontuais na avaliação, pois, ao se ajuizar a pertinência de uma área de atuação, pode-se facilmente ser questionado pelo vínculo desta com outras. No caso de o interlocutor já ter um juízo favorável a um partido que criticamos, a avaliação específica tende a ser desacreditada tomando-se outras áreas como “mais importantes”, ou “essa não é a única” etc.

Em típicos momentos do debate, um juízo negativo é já combatido pela atitude altamente preventiva, defensiva, “alérgica”, em que a perspectiva do caso singular já é percebida como uma crítica global (disfarçada). Nesse instante, evidencia-se a mesma lógica do torcedor de futebol: por mais que o time seja bom, “não pode” perder legitimamente uma partida ou ter atuado reconhecidamente de forma ruim (a culpa será do juiz ou das regras, ou ainda se recorrerá àquele “outro campeonato” em que o adversário perdeu), pois admitir isso fere gravemente os mecanismos narcísicos de identificação global, fundados muito mais em investimentos pré-racionais de imagens arcaicas do que em convicção discursivamente construída.

Apesar dessas dificuldades, a avaliação política geral, de conjunto, somente terá consistência pelo somatório dos juízos sobre cada área de atuação, pois estes é que dão a suficiente legitimidade para o julgamento global, em que se escolhe prestar mais atenção em certos aspectos e não em outros, ponderar as avaliações singulares etc.

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