Avaliar um partido político é algo muito difícil, pois é
necessário fazer frente a uma complexidade heterogênea: muitos fatores de
ordens muito diversas precisam ocupar um “mesmo espaço” de julgamento. Isso é
um enorme empecilho para se focar itens pontuais na avaliação, pois, ao se
ajuizar a pertinência de uma área de atuação, pode-se facilmente ser
questionado pelo vínculo desta com outras. No caso de o interlocutor já ter um
juízo favorável a um partido que criticamos, a avaliação específica tende a ser
desacreditada tomando-se outras áreas como “mais importantes”, ou “essa não é a
única” etc.
Em típicos momentos do debate, um juízo negativo é já
combatido pela atitude altamente preventiva, defensiva, “alérgica”, em que a
perspectiva do caso singular já é percebida como uma crítica global
(disfarçada). Nesse instante, evidencia-se a mesma lógica do torcedor de
futebol: por mais que o time seja bom, “não pode” perder legitimamente uma
partida ou ter atuado reconhecidamente de forma ruim (a culpa será do juiz ou
das regras, ou ainda se recorrerá àquele “outro campeonato” em que o adversário
perdeu), pois admitir isso fere gravemente os mecanismos narcísicos de
identificação global, fundados muito mais em investimentos pré-racionais de
imagens arcaicas do que em convicção discursivamente construída.
Apesar dessas dificuldades, a avaliação política geral, de
conjunto, somente terá consistência pelo somatório dos juízos sobre cada área
de atuação, pois estes é que dão a suficiente legitimidade para o julgamento
global, em que se escolhe prestar mais atenção em certos aspectos e não em
outros, ponderar as avaliações singulares etc.
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