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domingo, 6 de julho de 2014

Competição e pseudo-individualidade


O futebol atualmente demonstra o quanto uma sociedade individualista é pseudo-individualizada. Em vez de a competitividade resultar no senso de competência, de afirmação de si, de seu talento, de sua própria determinação etc., reenvia de forma regressiva à imagem de fracasso do outro. A vitória se transforma em um pretexto para celebrar o quanto o outro é menor, pior, mais fraco e, numa sociedade machista, a corporificação do feminino como um masculino-não-realizado. Em vez de olhar para si e ver o sucesso como espelho e veículo de compreensão de suas potencialidades realizadas — o que é índice de construção progressista de individualidade —, o torcedor tem o olhar dirigido ao outro, e assim ele se compraz, por identificação, com o que é está fracassado em si mesmo. Disso resulta numa celebração da mediocridade, do não-conseguido, transformando no gozo do escárnio o que deveria ser celebração do que se construiu. Só que as mentes avessas de antemão ao politicamente correto gostam de associar maturidade ao pervertido, e então o prazer de se afirmar independentemente da derrota alheia (no sentido mesmo de não depender dela para a satisfação) é visto como “careta”, como índice de “ser reprimido”.

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