O futebol atualmente demonstra o quanto uma sociedade
individualista é pseudo-individualizada. Em vez de a competitividade resultar
no senso de competência, de afirmação de si, de seu talento, de sua própria
determinação etc., reenvia de forma regressiva à imagem de fracasso do outro. A
vitória se transforma em um pretexto para celebrar o quanto o outro é menor,
pior, mais fraco e, numa sociedade machista, a corporificação do feminino como
um masculino-não-realizado. Em vez de olhar para si e ver o sucesso como
espelho e veículo de compreensão de suas potencialidades realizadas — o que é
índice de construção progressista de individualidade —, o torcedor tem o olhar
dirigido ao outro, e assim ele se compraz, por identificação, com o que é está
fracassado em si mesmo. Disso resulta numa celebração da mediocridade, do
não-conseguido, transformando no gozo do escárnio o que deveria ser celebração
do que se construiu. Só que as mentes avessas de antemão ao politicamente
correto gostam de associar maturidade ao pervertido, e então o prazer de se
afirmar independentemente da derrota alheia (no sentido mesmo de não depender
dela para a satisfação) é visto como “careta”, como índice de “ser reprimido”.
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