“Si hay gobierno, soy contra” — essa expressão irônica, que
pode servir de inspiração a alguma forma de anarquismo muito pouco elaborado,
parece inspirar uma mentalidade difusa que deve pautar, em uma medida
significativa, a perspectiva da classe média jovem em todo o Brasil no que
concerne às próximas eleições, principalmente à presidência da república. Para
quem hoje tem menos de 25 anos de idade, os mandatos de Lula e Dilma
representam, essencialmente, o que significa “ser governo”, com toda a carga de
responsabilização exacerbada pelo que há principalmente de ruim no plano das
políticas públicas em geral (sejam elas municipais, estaduais ou federais).
Nesse cenário, torna-se extremamente importante uma grande
dose não apenas de conhecimento, mas de assimilação vivencial da história
recente do país para se poder avaliar de forma mais precisa o quanto esses três
últimos mandatos presidenciais são mais progressistas do que os anteriores. Em
função da dificuldade de isso ocorrer, o que se apresenta como possibilidade de
mudança, no sentido de progresso, a saber: as candidaturas de Aécio Neves e de
Eduardo Campos, adquirem certo destaque e acolhida, não pelo que apresentem de
propostas políticas concretas, mas pela ideia difusa de que a manutenção do
governo (seja ele qual for, de acordo com a frase que abriu esse texto) é
índice de continuísmo, de inércia, de freio a avanços possíveis.
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