Com certeza você conhece aquela típica reação infantil de
fechar os olhos e encolher os ombros para cima quando alguma coisa vai cair ou
bater. Você também já viu e se lembra de uma típica cena de desenhos animados
em que o personagem, ao correr sobre um abismo sem saber, somente começa a cair
quando olha para baixo e vê que perdeu o chão. Trata-se de algo próprio da
mentalidade infantil: um fenomenismo delirante, que somente toma como realidade
o que pode ser visto, que tem como contraparte a ideia de que as coisas existem
na magnitude com que são vistas.
A frase de Aécio Neves de que “Para acabar com a corrupção,
só tem uma solução: tirar o PT do poder” baseia-se neste princípio da
mentalidade infantil. Tendo ele obtido enorme sucesso em cercear a atividade da
imprensa em MG, segue-se que corrupção e ineficiência administrativa são duas
coisas que simplesmente não ocorreram em seu governo. Afirmar o contrário seria
apenas um mero exercício especulativo e atividade da imaginação. Além disso, a
intensidade ou gravidade do fenômeno, sendo proporcional ao seu aparecer, faz
com que o mensalão do PT seja infinitamente mais grave do que a privataria
tucana e o escândalo do metrô de São Paulo (que na verdade nem chegou a ser um
escândalo, devido ao tratamento da imprensa, apesar de a justiça de países
europeus terem instaurado processos contra suas empresas).
Esta fala do tucano também presta-se a antecipar a possível “realidade”
da corrupção em um eventual governo de Aécio: se ele obtiver um sucesso tão
grande quanto em relação à imprensa de Minas, podemos ter certeza de que não
ouviremos mais falar de corrupção no Brasil. Tal como no desenho do
papa-léguas, seremos como aquele coyote que caminha longamente sobre o abismo
mas não cai.

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