Nas ciências humanas e na filosofia, particularmente em teorias ligadas a correntes marxistas, vemos vários autores criticarem o sistema capitalista em virtude de vários fatores, como as relações altamente problemáticas e injustas entre os grandes empresários e os trabalhadores, a agressividade com que a indústria explora o meio ambiente, a ganância por acumulação de riquezas e por aí vai. É interessante notar, por outro lado, que tais características e princípios de ação não são apenas localizáveis nas atividades econômicas, incluindo o próprio consumo. O princípio geral do capitalismo, a saber, investir em uma atividade para gerar valores suficientes para ter lucro, dissemina-se, alastra-se, por vários âmbitos e modos de vida.
Uma idéia que parece mais do que verdadeira, a do desejo de melhorar a nós mesmos e o mundo ao nosso redor, se transforma em algo muito próximo do espírito capitalista. A recusa de uma atitude conformista e resignada, favorecendo um modo ativo de transformar a nós mesmos e tudo mais que está a nosso alcance, acaba por valorizar apenas o que poderia ser melhor do que é concretamente. Nesse sentido, podemos ao longo do tempo sempre julgar o valor de nossas ações quase que exclusivamente pela eficiência com que é capaz de contribuir para melhorar a vida, e não propriamente para fazer com que apreciemos aquilo que já existe.
Se o princípio do capitalismo é o de gerar mais e mais riqueza, desconsiderando o simples valor que não é agregado e multiplicado, podemos perceber o quanto isso vale, por exemplo, na educação familiar. Os pais inundam seus filhos pequenos com uma enxurrada de atividades que supostamente só podem fazer bem, pois contribuirão para o enriquecimento cultural, humano, social e, por que não, econômico deles. Nesse sentido, a infância, um momento inestimável para criar uma memória duradoura de felicidade e de prazer descompromissado, acaba se afogando na necessidade — que eu diria capitalista — de “investir agora para gerar dividendos no futuro”. As crianças passam, então, a aprender inglês, francês, música, natação, balé, judô, e tudo mais que a mente dos pais imagina necessário para satisfazer seu próprio narcisismo de alguém plenamente realizado.
Em termos mais gerais ainda, tal como os autores da assim chamada escola de Frankfurt mostraram, a vida capitalista consiste em considerar as coisas como meios de se alcançar fins que não se sabe bem ao certo como podem ser usufruídos, nem mesmo qual é seu sentido. No limite, toda a vida tende a ser vivida como mero instrumento para gerar valores que não necessariamente favorecem a ela mesma.
Uma idéia que parece mais do que verdadeira, a do desejo de melhorar a nós mesmos e o mundo ao nosso redor, se transforma em algo muito próximo do espírito capitalista. A recusa de uma atitude conformista e resignada, favorecendo um modo ativo de transformar a nós mesmos e tudo mais que está a nosso alcance, acaba por valorizar apenas o que poderia ser melhor do que é concretamente. Nesse sentido, podemos ao longo do tempo sempre julgar o valor de nossas ações quase que exclusivamente pela eficiência com que é capaz de contribuir para melhorar a vida, e não propriamente para fazer com que apreciemos aquilo que já existe.
Se o princípio do capitalismo é o de gerar mais e mais riqueza, desconsiderando o simples valor que não é agregado e multiplicado, podemos perceber o quanto isso vale, por exemplo, na educação familiar. Os pais inundam seus filhos pequenos com uma enxurrada de atividades que supostamente só podem fazer bem, pois contribuirão para o enriquecimento cultural, humano, social e, por que não, econômico deles. Nesse sentido, a infância, um momento inestimável para criar uma memória duradoura de felicidade e de prazer descompromissado, acaba se afogando na necessidade — que eu diria capitalista — de “investir agora para gerar dividendos no futuro”. As crianças passam, então, a aprender inglês, francês, música, natação, balé, judô, e tudo mais que a mente dos pais imagina necessário para satisfazer seu próprio narcisismo de alguém plenamente realizado.
Em termos mais gerais ainda, tal como os autores da assim chamada escola de Frankfurt mostraram, a vida capitalista consiste em considerar as coisas como meios de se alcançar fins que não se sabe bem ao certo como podem ser usufruídos, nem mesmo qual é seu sentido. No limite, toda a vida tende a ser vivida como mero instrumento para gerar valores que não necessariamente favorecem a ela mesma.